
Em hebraico, shechem (siquém) significa "ombro", uma boa descrição para a localização da cidade no vale estreito entre o monte Gerizim e o monte Ebal, aproximadamente 65 quilômetros ao norte de Jerusalém.
Atualmente, o mundo a chama de Nablus, uma cidade administrada pela Autoridade Palestina (AP), situada na chamada Margem Ocidental e destinada a se tornar judenrein, "livre de judeus", num futuro Estado palestino. 
Mas Siquém já foi uma cidade verdadeiramente judaica, e não foi por acaso que, em sua despedida, o idoso Josué reuniu os israelitas ali para Ihes rogar que seguissem a Deus (Josué 24).
Josué levou Israel de volta às suas raízes, tanto físicas quanto históricas, numa eficaz lição prática que tinha o objetivo de reforçar os laços da nação com as gerações passadas e com tudo o que Deus havia feito.
Os estudiosos Carl Keil e Franz Delitzsch comentaram a magnitude dessa reunião: "Para esse ato solene, ele [Josué] não escolheu Siló, o lugar do santuário nacional, [...] mas Siquém, um local santificado como nenhum outro para o propósito que ele tinha em mente, por causa das reminiscências sagradas dos tempos dos patriarcas".1
Mas, por que Siquém era tão importante? Porque foi lá que Moisés disse ao povo judeu, muitos anos antes de Josué:
"Hoie, vieste a ser povo do SENHOR, teu Deus. [...] estarão sobre o monte Gerizim, para abençoarem o povo, estes: Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim. E estes, para amaldiçoar, estarão sobre o monte Ebal: Rúben, Gade, Aser, Zebulom, Dã e Naftali" (Dt. 27.9,12-13).
Assim, Josué levou o povo de volta ao lugar exato onde Deus o havia advertido de que deveria obedecer, ou seria castigado.
Ainda mais importante, segundo Keil e Delitzsch, era o fato de que Siquém foi o lugar onde Abraão recebeu a primeira promessa de Deus (Gn. 12.6-7) e onde Jacó se fixou, ao retornar da Mesopotâmia: "e foi ali que ele purificou sua casa dos deuses estranhos, enterrando todos os seus ídolos debaixo de um carvalho" (Gn 35.2,4).2
Através de Josué, Deus trouxe Israel de volta às suas origens. Ele recontou a travessia de Abraão "além do rio" [Eufrates] (Js. 24.3), centenas de anos antes, e sua chegada a Canaã. Conforme havia prometido, Deus multiplicou a semente de Abraão e deu-lhe um filho, Isaque.
Mais tarde, Deus deu
o monte Seir a Esaú, o irmão de Jacó: "porém Jacó e seus filhos desceram para o Egito" (v. 4).
Então, veio Moisés e o milagroso Êxodo, que Josué vivenciou pessoalmente. Ele lembrou ao povo as incríveis vitórias militares que Deus tinha dado a seus antepassados e o modo como eles receberam cidades que não tinham edificado e "vinhas e [...]olivais que não plantastes" (v. 13).
E foi nos arredores de Siquém que a nação de Israel enterrou os ossos do patriarca José, dentro dos limites da terra que Deus havia prometido aos filhos de Israel, "naquela parte do campo que Jacó comprara aos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de prata" (Js 24.32).
Atualmente, aquele lugar é chamado, em hebraico, de Kever Yosef, "O Túmulo de José". Trata-se de um lugar santo para os judeus e nele funcionava uma yeshiva (escola judaica). O local era visitado por milhares de judeus, anualmente. Em outubro de 2000 os palestinos destruíram o túmulo [de José], incendiaram tudo e construíram uma mesquita em seu lugar.
Notas:
1. C. F.Keil e F. Delilzsch, Commentary on the Old Testament, Irad. James Martin (Grand Rapids: Eerdmans), p. 226.
2.lbid.
Fonte: Revista Chamada da Meia-Noite.
Maio de 2006 – Ano 28
